Bassem, natural da Síria, chef em São Paulo (SP)

Gastronomia

Bassem

Foto: Marcio Shaffer

Formado em arquitetura e gerente da Syrian Society for Social Development - organização da sociedade civil que tem parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) -, Bassem tomou a difícil decisão de sair da Síria em 2015. Há mais de uma década, o país árabe sofre com a guerra, que já deixou mais de 6 milhões de refugiados sírios em todo o mundo. “Eu deveria começar a servir o Exército, mas não queria participar daquilo, então optei pelo Brasil que tinha um visto facilitado para refugiados”, relembra.

Sem conhecer ninguém no país e nem o idioma, Bassem conta que enfrentou inúmeras dificuldades, inclusive para encontrar emprego. Depois de algum tempo, conseguiu um trabalho na área comercial de uma empresa de exportação, mas não recebia os benefícios aos quais tinha direito. Naquele momento, começou a juntar dinheiro para abrir seu negócio: um restaurante em São Paulo. “Sempre amei cozinhar, eu acredito que é um talento que nasce com a pessoa, assim como a arte, música. Eu aprendi observando a minha mãe, que é a melhor cozinheira do mundo para mim”, brinca.

Porém, em 2018, o sonho precisou ser adiado. A mãe estava muito doente e Bassem usou as economias para visitá-la em Damasco, capital síria. Foi somente em 2019 que o empreendedor pôde abrir as portas do restaurante Zingo & Ringo, cujo nome vem do árabe e significa “João e Maria”. Mesmo com desafios para entender o gosto dos clientes brasileiros, adequações aos trâmites burocráticos e diante de uma pandemia, o negócio começou a crescer. Em 2022, com a alta da demanda, precisou ir para um lugar mais amplo na Rua dos Pinheiros, um dos polos gastronômicos na zona oeste de São Paulo. Especializado em comida árabe, o restaurante também trabalha com rodízio e delivery.

No Zingo & Ringo, o empreendedor abre espaço para exposição de obras de artistas, preferencialmente refugiados. E não é apenas nas artes que Bassem apoia pessoas vindas de outros países. Atualmente, dos 13 funcionários, 11 são refugiados árabes, da Síria, Palestina e Líbano. “Eu passei mal quando cheguei ao Brasil, foi muito difícil. E se já está complicado para brasileiro conseguir emprego, imagina para os refugiados que não falam o idioma e não conhecem o país. Então, nas vagas, dou prioridade para refugiados como eu”, comenta.

O empreendedor ainda planeja outros tipos de suporte para essas pessoas: ele almeja montar um centro cultural, para abrir espaço ao talento das pessoas refugiadas. No local, também seriam ministradas aulas de árabe a brasileiros e cursos gratuitos de português para refugiados e migrantes.

(Texto incluído na plataforma em julho de 2022)