Fatima, natural da Síria, chef em São Paulo

Gastronomia

Fatima

Foto: ACNUR/Érico Hiller

Reviralvoltas têm sido uma constante na vida de Fatima. Ela se tornou refugiada antes mesmo de chegar ao Brasil, quando teve que deixar sua cidade natal, Alepo, no norte da Síria, no início dos conflitos no país, em 2011. De lá, ela e sua família foram para a Jordânia, onde viveram por quatro anos à espera do término da guerra – que até hoje não aconteceu.

“Eu trabalhava em uma fábrica de roupas da família como costureira. Ainda menina aprendi os segredos do preparo dos pratos típicos da Síria por acompanhar minha mãe na cozinha. Nunca imaginei que essa vivência me traria os frutos do presente momento”, afirma a mãe de cinco filhos e empreendedora.

Fatima chegou ao Brasil em 2014 e se esforçou muito para que o processo de integração em São Paulo, cidade onde vive com sua família, fosse o mais rápido possível. O bem-estar dos seus filhos ditou toda as mudanças que ela fez durante o longo caminho em busca de segurança e proteção.

“Quando passamos a entender a cultura daqui, passamos a nos adaptar com mais facilidade. Os meus filhos amam arroz e feijão e isso é reflexo deste sentimento que partilhamos, de estarmos no Brasil com o coração aberto”, conta a atenciosa mãe.

Fatima passou a realizar uma série de cursos e capacitações promovidas pelo ACNUR e seus parceiros. Desde 2017 ela começou a empreender no segmento de gastronomia, atendendo festas e eventos de grande porte com as delícias da cozinha árabe – inclusive com cardápio vegetariano. Mas então a pandemia fez com que ela tivesse que mudar a clientela, passando a direcionar suas vendas para as demandas familiares, pelas redes sociais – e sem perder a essência da culinária árabe.

“Aqui no Brasil aprendi a adaptar os temperos que uso, assim como o jeito de preparar os pratos. Como os eventos que atendia antes já não existem mais, revi toda minha estratégia para que, nas redes sociais, eu consiga receber os pedidos e fazer as entregas com o mesmo capricho que minha mãe me ensinou”, diz a chefe de família.

(Texto produzido em Março de 2020)