Hakan, natural do Curdistão, chef em São Paulo

Gastronomia

Hakan

Quando combatentes do Estado Islâmico entraram na escola onde Hakan dava aula, ele decidiu que era hora de sair do Curdistão, região onde vivia no território iraquiano. “Apesar de ter um passaporte iraquiano, eu não me considero iraquiano. Nossa cultura, música, idioma, escrita, roupas... Tudo é diferente. O Curdistão está em meu coração”, conta Hakan, sobre suas origens.

Formado em música, ele vivia em Erbil (capital do Curdistão Iraquiano) e trabalhava em uma cidade árabe chamada Makhmur quando começou a sofrer pressão do grupo terrorista para carregar bombas e transportar guerrilheiros ligados ao grupo – por ser professor, ele não era parado nos checkpoints ao longo da estrada. “As ameaças começaram a ficar mais agressivas, e me preocupei com meus irmãos e com minha mãe”, relembra ele, que há cinco anos desembarcava no Brasil.

Em seus primeiros anos no país, ele chegou a estudar para ser cabelereiro, mas conta que os baixos salários e as poucas oportunidades no setor, fizeram com que ele seguisse um novo caminho, o da gastronomia. “Eu cozinhava sempre em casa, no Curdistão, e quando cheguei ao Brasil ia aos restaurantes árabes e turcos e sentia muita diferença”, explica ele, que resolveu fazer uma comida autêntica e tradicional.

O empreendimento Homus do Hakan saiu do papel em setembro de 2020, e atualmente funciona apenas na modalidade delivery, dentro das recomendações sanitárias referentes à pandemia do Covid-19. Todos os pedidos são feitos online, por meio do Whatsapp ou da plataforma Appetite. Além dos pedidos online, Hakan também conta com uma boa clientela no bairro onde vive na Zona Oeste de São Paulo.

O maior desafio enfrentado em sua trajetória empreendedora foi o de conseguir bons ingredientes para produzir os pratos com a maior autenticidade possível. Entre as receitas que saem da cozinha da casa do chef, que só vende pratos feitos na hora, estão homus, babaganoush e tzaziki.

Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, Hakan se diz satisfeito com os rumos do empreendimento, e otimista com o futuro, na medida em que as restrições vêm sendo afrouxadas. Para 2021, ele planeja abrir um ponto físico onde possa comercializar seus pratos e conquistar ainda mais clientes.

(Texto incluído na plataforma em Junho de 2021)