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Herodina, Bislandia e Licet, naturais da Venezuela, costureiras em São Sebastião, Distrito Federal

Moda

Herodina, Bislandia e Licet

Um recomeço das mulheres da família Urbano. É assim que pode ser definido O Tesouro das Costureiras, ateliê de costura, confecção e reformas de roupas em São Sebastião, no Distrito Federal. O empreendimento é administrado por seis mulheres venezuelanas: a matriarca da família, Herodina, as quatro filhas dela, Bislandia, Licet, Claudia e Ana, e a neta Katherine.

O envolvimento com linhas e agulhas começou com dona Herodina, que, ainda na Venezuela, fez curso de estilista e de costura e trabalhou por anos em um negócio próprio na área. As filhas aprenderam o ofício observando a mãe remendar e consertar peças e criar modelos.

Com a situação socioeconômica da Venezuela, a família, aos poucos, começou a atravessar a fronteira. A primeira foi a filha Licet, que chegou a Roraima em 2018. Em 2019, ela foi realocada voluntariamente, por meio da Estratégia de Interiorização, para o Distrito Federal. O restante da família veio nos anos seguintes e, por fim, Herodina chegou em 2020. A família enfrentou inúmeras dificuldades, principalmente para encontrar emprego. Bislandia, por exemplo, atuava como enfermeira na Venezuela e não podia exercer a função no Brasil.

Assim, em 2020, elas começaram a adquirir as primeiras máquinas de costura. Tiveram algumas pausas e desafios, especialmente por conta da pandemia de Covid-19. Mas com o apoio do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), e com muito esforço, atualmente contam com cinco máquinas de costura industrial e uma prensa térmica.

“Há cinco meses, todas passamos a nos dedicar somente ao negócio. Porque temos filhos pequenos e ficava difícil trabalhar. Então, melhor nos juntarmos e fazer tudo em casa. É muito bom trabalhar com a família, porque temos uma boa comunicação, então não é difícil”, conta Licet.

Hoje, elas costuram na casa de uma delas e também têm uma loja física, onde vendem as peças e fazem consertos, no centro de São Sebastião. As seis mulheres se dividem nas tarefas, compartilham opiniões e sonhos.

“Estamos muito felizes, afinal nem todos têm a coragem de fazer o que temos feito. No futuro, queremos ter uma fábrica enorme, com muitas mulheres venezuelanas trabalhando. É uma forma de ajudar nossas companheiras venezuelanas”, planeja Bislandia.

(Texto incluído na plataforma em Dezembro de 2022)

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