Vernon, natural da Venezuela, tatuador em Santa Maria (DF)

Design e Arte

Vernon

A relação de Vernon com os traços começou cedo. Quando tinha três anos, sua mãe percebeu o dom do pequeno com as linhas e matriculou o filho em uma escola de desenho na cidade de Cumaná, na Venezuela, para aperfeiçoar a técnica. Ele logo descobriu a profissão que queria exercer: tatuador. “Desde criança ficava olhando como os tatuadores trabalhavam, queria ser isso. Eu admirava muito o trabalho deles”, conta.

O plano começou a se concretizar aos 17 anos, quando Vernon comprou equipamentos e fez cursos na área, com o dinheiro que conseguiu vendendo seus poucos pertences, como o celular. A partir daí, seus desenhos passaram do papel à pele de clientes. Porém, em novembro de 2018, aos 21 anos, o jovem teve de deixar o sonho suspenso para auxiliar sua mãe e a irmã dele, que estava grávida. Elas moravam em Boa Vista, em Roraima, mas enfrentavam dificuldades. A mãe vendia bolos nas ruas para sobreviver. Vernon precisou trocar as agulhas e tintas por equipamentos pesados, trabalhando, por algum tempo em minas de ouro na Venezuela para juntar recursos e vir ao Brasil. Quando chegou, trouxe na bagagem a máquina de tatuar e o sonho de criança.

Nessa época, a família já tinha se mudado para Goiás. “Eu comecei lixando e pintando carros, sem nunca ter feito nada disso, mas me ajudou a aprender português, não sabia falar nenhuma palavra”, relembra. Também passou por empregos no comércio, em restaurantes, fazendo marmitas, mas a vontade de viver dos traços continuava. “Foi bem difícil, mas a gente dá um jeito, não coloca desculpas e trabalha no que for preciso”, afirma.

Hoje, Vernon divide um espaço em Santa Maria, cidade do Distrito Federal, onde faz as tatuagens. “Quero abrir um espaço meu, viver só da tatuagem. A tatuagem é tudo na minha vida, é o que me tirou da fome, o que me ajudou a ter casa. Ela abre as portas para mim e espero viajar pelo Brasil, levando meus traços. O Brasil é o melhor país para o refugiado e migrante vir, porque aceita todas as pessoas de braços abertos”, diz.

(Texto incluído na plataforma em Junho de 2022)