Benazira, natural da Guiné-Bissau, empreendedora social em São Paulo

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Benazira

Radicada no Brasil há 18 anos, Benazira saiu da Guiné-Bissau poucos anos após o fim da guerra civil para estudar no Brasil. “Eu tinha muita vontade de fazer medicina para ajudar as vítimas da guerra, mas o trauma da guerra me deixou com muito medo de sangue”, conta. Mesmo com as marcas deixadas pelo conflito, ela encontrou outros caminhos para ajudar a fazer do mundo um lugar melhor e mais justo.

Em João Pessoa, primeiro lugar que viveu no país, Benazira estudou Comunicação, se formou em Turismo e Teatro e trabalhou como modelo para pagar os seus estudos. Em 2016, a empresária se mudou para São Paulo, onde se envolveu ainda mais com a questão dos migrantes e refugiados, trabalhando em ONGs e atuando com diversas organizações na área.

Foi no contexto da pandemia do Covid-19 que Benazira, ciente do aumento do desemprego no Brasil e das vulnerabilidades de migrantes e refugiados diante da crise causada pelo vírus, idealizou seu projeto mais recente, a BD Moda Praia. Trata-se de uma marca de beachwear cujas peças são comercializadas no Facebook e no Instagram. O diferencial da BD Moda Praia é a forma com que a cadeia de produção é organizada.

Benazira explica que todos os costureiros que produzem as peças para a BD trabalham em um esquema de cooperativa, garantindo uma linha de produção justa e ética. Atualmente, nove pessoas produzem peças para a marca. O grupo é bastante diverso, composto por migrantes e refugiados de países como Haiti, Bolívia, Venezuela, Paraguai Senegal, Nigéria e Guiné Bissau e também por brasileiros. Na hora de escolher os costureiros, Benazira dá prioridade para a contratação de mães solteiras, refugiadas e imigrantes, e outras mulheres que vêm de comunidades com poucos recursos.

“Mais do que dar emprego, meu objetivo é compartilhar conhecimento e mostrar para essas mulheres o que elas são capazes de conquistar”, explica a empresária, que também oferece capacitação aos costureiros e costureiras da BD. O intuito, segundo Benazira, é que cada trabalhador ganhe autonomia e esteja mais preparado para seguir no mercado de trabalho. Ela defende a ideia da criação de projetos que gerem recursos e capacitem os migrantes. “Uma coisa é validar o diploma, mas inserir essa pessoa no mercado de trabalho é outra. Quando você capacita as pessoas e garante que elas tenham rendimento próprio, elas ficam menos suscetíveis e não se tornam dependentes de ações sociais”, detalha.

Para o futuro, Benazira deseja tornar a marca mais conhecida e expandir o alcance da BD, participando de importantes semanas de moda, tanto no Brasil quando no exterior. “Sabemos que um empreendimento social não visa apenas o lucro, mas também a transformação da sociedade”.

(Texto incluído na plataforma em Novembro de 2021)