Franck, natural da Costa do Marfim, estilista em Brasília

Moda

Franck

No Brasil há quase quatro anos, Franck, natural da Costa do Marfim, sempre encontrou seu sustento na moda. Assim que chegou ele trabalhou em um ateliê que produzia uniformes para a Marinha. Já mais habituado ao novo país Franck resolveu abrir sua própria loja, em uma galeria da capital federal.

As peças desenvolvidas por Franck misturam influências africanas com as cores vibrantes e as estampas expressivas com elementos que agradam o consumidor brasileiro. “Meu trabalho é mais focado nos tecidos africanos, mas também vejo e necessidade de me integrar no mercado brasileiro e misturar as culturas”, explica ele, que estudou costura em seu país natal e que, antes de chegar ao Brasil, viveu por um tempo no Senegal, de onde saiu por conta de violações aos Direitos Humanos.

A crise econômica que veio junto com a pandemia do Covid-19 fez com que Franck precisasse fechar as portas do seu negócio, por não ter como pagar todas as despesas do empreendimento. No Brasil, sua trajetória sempre esteve ligada à moda, e durante alguns meses ele também fez parte da Egalité, loja colaborativa idealizada e gerida pelo grupo Mulheres do Brasil e que ajudou a dar visibilidade aos empreendimentos liderados por refugiados e imigrantes.

Com o afrouxamento das medidas restritivas impostas pela pandemia, Franck abriu uma nova loja, chamada Zolé – a palavra significa respeito em Dida, dialeto falado na Costa do Marfim. No local, que funciona no Shopping Venâncio ao lado da Égalité, ele vende itens a pronta entrega e também recebe clientes que queiram encomendar uma peça exclusiva. Os tecidos para confecção das roupas são importados da África e chegam até Brasília via São Paulo. “Produzo todo o tipo de roupa: calça, vestido, camisa, roupas para casamentos, ternos. Meus clientes são homens, mulheres e crianças”, explica o versátil estilista, que vem superando desafios sem perder o otimismo de dias melhores. “Estamos em um momento difícil, mas acredito que as coisas vão voltar ao normal. Não está fácil, mas a gente vai tentando... para poder viver e sobreviver”.

(Texto produzido em Fevereiro de 2021)