Jacqueline, natural da Venezuela, empreendedora em Boa Vista

Design e Arte

Jacqueline

Desde a época em que vivia na Venezuela, Jacqueline era dona de uma gráfica. No seu país natal, ela conciliava as atividades do empreendimento com a função de diretora adjunta de uma escola de ensino médio, enquanto seu marido se dedicava inteiramente ao negócio.

Jacqueline conta que recomeçar a vida no Brasil lhe deu mais incentivo para empreender, principalmente por iniciativas que beneficiam pequenos negócios, e que fizeram com que a PubliGrafica conseguisse prosperar. “O CIEDS [Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável] nos proporcionou formação em empreendedorismo, nos deu assessoria e orientações, assim como um capital semente, que utilizamos para comprar um computador”, detalha ela, que conseguiu formalizar o empreendimento a partir de orientações do SEBRAE.

Em meio à mudança para o Brasil e à adaptação do novo negócio ao mercado de Boa Vista, Jacqueline passou a integrar a Rede Mulher Empreendedora que, com o apoio da ONU Mulheres, já prestou atendimento a mais de 500 mulheres em Roraima. Fortalecendo cada vez mais sua capacidade de empreender, Jacqueline toca, junto com o marido, a PubliGrafica. Entre os serviços oferecidos pela empresa estão o desenho de logomarcas e impressões diversas como cartões de visita, panfletos, banners, assim como a estamparia de camisetas e a plotagem de vidros e carros.

Além de entregar os serviços personalizados com dedicação e qualidade, os dois têm como objetivo ajudar outros empresários da região. “Nós já estamos formalizados, e queremos nos aperfeiçoar. O que nós sabemos, no entanto, repassamos para outras pessoas”, conta ela, que organiza reuniões periódicas com empreendedores que estejam começando os seus negócios. Além de proporcionar mentoria, eles fazem sorteios de produtos e oferecem o “pacote empreendedor” – incluindo, por exemplo, logomarca, banner, cartões de visitas e postagens em redes sociais – a preços promocionais. “Assim como outras pessoas acreditaram em nós, nós estamos acreditando em outros empresários, independente de serem venezuelanos ou brasileiros”.

A pandemia do Covid-19, é claro, impôs dificuldades ao casal, que teve que reduzir a entrega de panfletos nas ruas e as visitas a outros comércios. Jacqueline, no entanto, vê as dificuldades já como um passado superado e não perde a esperança de dias melhores. “Meu sonho é gerar empregos. O dia que eu fizer isso, esse dia eu vou sentir que consegui. Eu já conheci brasileiros, e já conheci venezuelanos chorando por não terem emprego. É importante dar oportunidades e possibilidades para todos”.

(Texto produzido em Fevereiro de 2021)