Jorge, natural da Venezuela, confeiteiro no Rio de Janeiro

Gastronomia

Jorge

A primeira vez que Jorge visitou o Rio de Janeiro foi em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude. Três anos depois, ele voltava definitivamente à cidade, motivado pela situação política a econômica da Venezuela. Formado em Comunicação Social e engenheiro de Tecnologia da Informação, Jorge trabalhava no Ministério da Educação, mas conta que seu salário de servidor público já não era suficiente para cobrir as despesas do mês. “Enquanto o serviço público é um sonho para muitos, na Venezuela a gente não estava ganhando nada”, explica.

“Chegando ao Brasil eu comecei minha caminhada para empreender e crescer profissionalmente”, lembra Jorge. Seu primeiro emprego foi fazendo figuração em novelas e filmes brasileiros. Depois, em 2017, após se candidatar a muitas vagas de emprego, ele conseguiu um trabalho como assistente de eventos em um boliche no Rio de Janeiro. “Eu sempre tive interesse em empreender, mas como todo migrante eu tinha que correr atrás de um trabalho fixo para me manter”.

Em 2019, no entanto, as atividades do boliche foram encerradas. Jorge conta que sempre gostou de gastronomia, especialmente da área de doces e confeitaria. “Tanto na Venezuela quanto no Brasil eu tinha o hábito de fazer doces para os amigos e para a família”, conta ele, que costumava vender para fora apenas em datas festivas. Diante da falta de perspectiva de conseguir um trabalho formal durante a pandemia da Covid-19, Jorge resolveu tirar o sonho antigo do papel.

“Em 2020 tomei a decisão de empreender séria e formalmente”, conta ele, que investiu em marketing e também criou um MEI para abrir a George’s Gourmet. Além de vender bolos e doces variados, Jorge também produz cestas comemorativas para datas especiais – como, por exemplo, o dia das mães. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, o empresário aproveitou o ano de 2020 para fazer diversos cursos de empreendedorismo, com o apoio de organizações como a Migraflix.

Autodidata, Jorge conta que nunca estudou confeitaria formalmente, mas aprende técnicas e pesquisa na internet. “Eu mesmo procuro informação, vejo vídeos, lives, estou sempre vendo alguma coisa e criando. Começo do zero e vou aperfeiçoando as técnicas”, explica ele, que conta que seu maior sucesso de vendas é o bolo de cenoura com ganache de chocolate.

Atualmente, a George’s Gourmet é a única fonte de renda de Jorge, que aguarda o fim da pandemia para abrir um café ou uma confeitaria no Rio e ampliar as atividades da empresa. Enquanto isso, os clientes podem se deliciar com seus doces, vendidos pelo Instagram, Facebook e Whatsapp, e entregues via delivery em toda a cidade do Rio de Janeiro.

(Texto incluído na plataforma em Junho de 2021)