Leomarys, natural da Venezuela, confeiteira no Rio de Janeiro (RJ)
Gastronomia

A venezuelana Leomarys chegou ao Brasil em 2018 em busca de novas oportunidades. Sua trajetória pelo país passou por Roraima, onde viveu inicialmente, além de períodos em São Paulo e Recife, até se estabelecer no Rio de Janeiro. Foi uma amiga quem a ajudou a dar os primeiros passos no Brasil, convidando-a para trabalhar como babá em meio período.
Em seu país de origem, estudava Engenharia e já havia trabalhado em shoppings e em um museu de arte. Ao chegar ao Brasil, enfrentou diversos desafios de adaptação, mas escolheu transformar as dificuldades em aprendizado. Hoje, compartilha sua história com orgulho, destacando a força e a resiliência que marcaram sua caminhada.
Sua conexão com a gastronomia começou a ganhar forma em Roraima, durante um curso de merendeira. Foi ali que aprendeu a preparar um bolo de chocolate à base de feijão, experiência que despertou uma nova paixão. “Aquilo me encantou e virou uma chave na minha cabeça. Esse sentimento sempre esteve no meu coração, porque minha mãe e minha avó sempre fizeram doces”, relembra.
Pouco depois, conquistou seu primeiro emprego na área da culinária, trabalhando na produção de pastéis e salgados. Durante a pandemia, começou a produzir bolos por encomenda para complementar a renda familiar. Após o encerramento de seu vínculo empregatício, investiu em cursos de confeitaria para ampliar seus conhecimentos e aperfeiçoar suas técnicas.
Desde então, participou de programas de capacitação e aceleração, incluindo iniciativas da Migraflix e do Sebrae. As formações abriram portas para novos espaços de comercialização, como feiras promovidas pelo SESC Botafogo e pela Feira Intercultural do Rio. Atualmente, integra redes e projetos como Rio Afrocriativo e foi selecionada para participar da Rio Refugia e da mentoria individual da Plataforma Refugiados Empreendedores em parceria com a Accor.
À frente de seu negócio de confeitaria, produz cookies, brownies, bolos, brigadeiros, doces para festas e receitas tradicionais venezuelanas. As encomendas são realizadas principalmente por redes sociais. Desde a Páscoa do ano passado, dedica-se exclusivamente ao empreendimento, com forte atuação em datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e festas juninas. Seu crescimento também possibilitou a contratação de duas profissionais brasileiras para apoiar na comunicação digital da marca.
Para o futuro, sonha em abrir uma loja física que seja mais do que um ponto de venda: um espaço de acolhimento, troca e convivência, onde possa realizar cafés da manhã, chás da tarde e encontros culturais. No curto prazo, busca estruturar uma cozinha profissional para ampliar sua capacidade de produção e continuar se especializando na área da confeitaria.
“Quero que meu negócio continue crescendo e se torne um espaço onde as pessoas possam compartilhar momentos especiais, se sentir acolhidas e conhecer um pouco mais da minha cultura através dos doces”, afirma.
(Texto incluído na plataforma em outubro de 2026)
