Leydi, natural da Venezuela, costureira em Manaus

Moda

Leydi

Desde a época em que vivia na Venezuela, Leydi encontrava na costura o seu sustento. Ela conta que no ano de 2015 abandonou uma carreira sólida no setor bancário porque, devido à crise que atingiu o país, seu salário era insuficiente para dar conta das despesas do mês. A saída mais acessível, conta ela, foi produzir roupas para vender, tanto pela internet quanto para outros comerciantes. A alternativa, no entanto, logo se tornou inviável. “Com uma situação volátil, as coisas ficaram piores do que nunca. Eu negociava os produtos em dólares, a moeda subia vertiginosamente e o cliente desistia da compra”, detalha.

Em 2018 ela não viu outra alternativa, senão deixar a Venezuela em busca de melhores condições para a família. Ao chegar em Pacaraima, ela tentou oferecer os serviços e produtos nas lojas, mas encontrou dificuldades por não ter o negócio formalizado. Em 2019 a família passou a viver em Manaus, e foi por meio do apoio de organizações da cidade, como a Hermanitos, que a empresária conseguiu formalizar o empreendimento e ampliar suas atividades.

Leydi costura, entre outros itens, kits para bebês recém-nascidos, compostos por touca, luvas e sapatinhos. Talentosa e criativa, ela também produz pijamas e roupas para todos os tamanhos e gêneros.

A empresária conta que a confecção foi bastante afetada pela pandemia de Covid-19 porque, com o fechamento do comércio em Manaus, o número de pedidos caiu. Para superar os desafios, ela vem focando mais em vendas individuais, mas aponta dificuldades como o mercado mais instável e as desistências dos clientes, mesmo quando o produto já está pronto.

Nessa fase difícil, ela conta que também recebeu apoio de organizações como a Caritas, que fez uma compra de pijamas e roupas. A Hermanitos, por sua vez, fez um grande pedido de máscaras e ecobags. Para atender à demanda e criar uma corrente do bem, Leydi buscou outros costureiros que pudessem colaborar com a produção. Atualmente, ela trabalha em parceria com pelo menos cinco pessoas, que recebem um valor a cada máscara costurada.

Ela conta que teve alguns planos frustrados para 2021, em decorrência da pandemia, mas pretende seguir firme trabalhando e espera que a situação melhore logo. “Precisamos que as pessoas se conscientizem e sigam os protocolos”, comenta ela, sobre o momento atual.

(Texto produzido em Fevereiro de 2021)