Ruth, natural da Venezuela, confeiteira em Boa Vista

Gastronomia

Ruth

Quando veio da Venezuela para o Brasil, Ruth pensava em seguir trabalhando na sua área de formação, como cabelereira. Ela conta que, no começo, passou por dificuldades por não falar o português fluentemente. “Os termos no Brasil são muito diferentes dos da Venezuela. Então a pessoa me pedia um serviço e eu não entendia, não por falta de conhecimento, mas pela barreira linguística”, relembra. O tempo que passou trabalhando em um salão, porém, foi importante para que Ruth percebesse como os clientes brasileiros gostavam de comer bolos e doces. “Parece até algo religioso”, brinca a venezuelana, que no seu país natal tinha na cozinha apenas um hobby.

No início de 2017, logo após chegar ao Brasil, ela começou a fazer bolos para vender. Sua primeira iniciativa foi deixar o produto em um salão de beleza de Boa Vista, para que os clientes pudessem degustar. A iniciativa deu certo, e Ruth logo passou a receber encomendas. O negócio começou pequeno e, inicialmente, a confeiteira produzia um único tipo de bolo, de massa branca e sabor de baunilha. “No início eu fazia os bolos em casa, não tinha batedeira, e a apresentação e a embalagem eram bem simples, pois eu comprava tudo no supermercado”, conta Ruth, que segue trabalhando de casa, hoje trabalha com outros fornecedores.

Aos poucos, o negócio foi crescendo, e ela passou a atender clientes corporativos, festas e eventos. Em 2019, o empreendimento de Ruth foi beneficiado pelo CIEDS [Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável]. O programa da instituição proporcionou, além de mentoria de negócios, um aporte financeiro que, segundo ela, foram recursos fundamentais para o sucesso e crescimento da empresa. Atualmente Ruth conta com um cardápio amplo composto por bolos, tortas salgadas, e outros doces. Ela revela que os produtos favoritos dos clientes são os bolos de chocolate, de canela e de macaxeira com coco. “Aprendi um pouco do Brasil, misturei a cultura venezuelana e um pouquinho também da colombiana, de onde vieram meus avôs”, conta ela, sobre a inspiração para criar as delícias.

Para adaptar seu negócio à nova realidade imposta pela pandemia do Covid-19, Ruth conta que tornou seus produtos ainda mais acessíveis. Como parte de sua clientela perdeu o emprego, ela pensou em alternativas para manter as vendas sem pesar no bolso dos clientes. “Reduzimos o tamanho de alguns bolos, e começamos a vender bolo no pote e cupcakes. Pouco a pouco foi dando certo”, explica a talentosa confeiteira, que pretende alugar um espaço exclusivo para o empreendimento em breve.
(Texto produzido em Fevereiro de 2021)