Tony, natural da Venezuela, músico em Manaus

Design e Arte

Tony

Musicista de formação, Tony integrou a Orquestra Sinfônica da Venezuela tocando contrabaixo e chegou a dar aulas para cerca de 700 alunos enquanto vivia em Caracas. Ao chegar ao Brasil, ele acabou se afastando da música como profissão, e foi trabalhar em empresas como operador de máquinas.

Seu amor pela música, no entanto, falou mais alto. Mesmo sem uma oportunidade profissional no Brasil, Tony fundou em 2018 o projeto Sinos de Quintana. “Essa ideia nasceu pela necessidade dos imigrantes em participarem da área cultural na cidade de Manaus”, explica ele, radicado na cidade desde 2015.

O projeto, que atende cerca de 25 crianças com idades entre quatro e 12 anos funciona aos domingos, no espaço de uma igreja em Manaus. Em dois anos, Tony conta que investiu entre R$ 15 mil e R$ 20 mil na iniciativa, destinando os recursos para comprar instrumentos, providenciar uniformes, fazer cópias de partituras e também para formalizar a empresa. Sua esposa também integra o projeto, cuidando principalmente da área administrativa do Sinos de Quintana.

Durante os encontros, as crianças aprendem a tocar diversos instrumentos – teclado, percussão, sinos e outros – e também se familiarizam com lições de canto e de teoria musical. “Atendemos crianças migrantes e também brasileiras, porque nossa ideia é promover um projeto social de inclusão e integração”, explica Tony, que durante a semana trabalha como motorista de aplicativo para pagar suas contas e seguir investindo no projeto. Se tiver uma oportunidade, ele pensa em voltar a atuar com música em tempo integral. “Caso surja a chance de dar aula, farei com todo amor e paixão”, revela ele, que também tem formação em Direção Orquestral.

Diante da pandemia de Covid-19 e das medidas de isolamento social impostas em Manaus, Tony precisou interromper os ensaios diversas vezes no ano passado. Mesmo assim, o grupo conseguiu organizar alguns encontros e participar de apresentações no final do ano – de acordo com o afrouxamento das regras na capital do Amazonas. Mesmo diante das dificuldades, Tony fala com entusiasmo do efeito que o projeto tem na vida das crianças. “O impacto é uma coisa impressionante, porque a música enriquece a alma das pessoas. Além disso, a criança fica mais afastada de riscos sociais e fortalece sua autoestima”, explica.

Para 2021, Tony planeja em ampliar o projeto para todos os públicos, incluindo adultos e idosos, e também estuda adaptar o Sinos de Quintana para oferecer serviços para escolas de Manaus. “Nossa ideia é que o projeto se desenvolva na sociedade e que nossas crianças sejam participantes do calendário cultural da cidade”.

(Texto produzido em Fevereiro de 2021)